19 de jul. de 2013

Pequenos (grandes) problemas

   Pequenos (grandes) problemas

 De um lado, o número cada vez maior de crimes praticados por jovens. Do outro, cientistas em busca de explicações para tal comportamento. Entenda os porquês dessa briga

Anna Gosline 








   É tarde da noite. Você caminha de volta para casa, sozinho, e passa por uma praça pouco iluminada. Um arrepio percorre seu corpo quando você os vê. Adolescentes. Eles falam alto, lembrando como afanaram a bolsa de uma senhora naquela manhã, em pleno horário de aula. Essas crianças...

   De seguranças de shoppings centers que não tiram os olhos de grupos de jovens à cobertura da mídia sobre o último tiroteio ou esfaqueamento envolvendo adolescentes, há uma preocupação crescente em todo o mundo a respeito da criminalidade e do comportamento anti-social entre os jovens. Políticos e formadores de opinião discutem fervorosamente sobre as possíveis causas do fenômeno: pais separados, álcool, TV, videogames ou apenas uma sociedade decadente. O fato é que ninguém parece saber o que fazer a respeito.

   Uma nova geração de cientistas está jogando luzes sobre o debate. Auxiliados por avanços nas técnicas de imageamento cerebral e na genética molecular, eles estão começando a entender o que há de errado quando as crianças não dão certo. Melhor: a ciência começa a descobrir novos métodos para cortar o crime juvenil pela raiz.

   A preocupação causada pelo mau comportamento do adolescente não é novidade. No livro "Psychosocial Disorders in Young People: Time Trends and Their Causes" ("Doenças Psicossociais em Jovens: Tendências do Tempo e Suas Causas"), de 1995, o psiquiatra infantil Michael Rutter e o criminologista David Smith documentaram um aumento crescente em crimes juvenis em todo o planeta logo após a Segunda Guerra Mundial, com uma taxa cinco vezes maior entre 1950 e 1990 nos países desenvolvidos.

   O problema é que o mundo em 2008 é outro, principalmente para os mais jovens. Interpretar as tendências criminosas recentes é uma missão difícil graças às mudanças nos tipos de crime registrados e às fontes de informação conflitantes. O fato de a maioria dos crimes não ser comunicada às autoridades também não ajuda. De acordo com dados oficiais, a criminalidade caiu entre 1992 e 1999 no Reino Unido. Mas houve crescimento expressivo na faixa etária entre 14 e 17 anos, em ambos os sexos.







Idades do crime

   Não há como negar que o crime é uma opção para muitos adolescentes. Estatísticas oficiais dos governos americano e britânico sugerem que o auge da atividade criminal entre os garotos acontece entre 17 e 18 anos. Para as meninas, a pior fase ocorre entre 14 e 15 anos. Mas, de acordo com a pesquisadora Terie Moffit, do Instituto de Psiquiatria de Londres, esses números contam apenas metade da história. Ela argumenta que eles ocultam dois tipos distintos de delito.

   O mais comum é o crime insignificante, incentivado pela sedução glamourosa das más companhias. Esses delinqüentes tendem a abandonar tal comportamento perto dos vinte anos. O outro grupo, mais problemático, é o que começa a mostrar um comportamento anti-social no jardim da infância. Essas crianças, diz Moffit, têm predisposições biológicas para problemas comportamentais. Se inseridas em um ambiente difícil - sem educação adequada ou sofrendo com as agruras da pobreza ou do abuso -, elas terão alto risco de se tornarem criminosos violentos por toda a vida. Grande parte do trabalho de Moffit vem sendo realizado com o "bando de Dunedin". Ele é formado por 535 homens e 502 mulheres, todos nascidos em 1972 e 1973 e inscritos logo que nasceram no Estudo de Saúde e Desenvolvimento Multidisciplinar da Universidade de Otago, em Dunedin, Nova Zelândia.

   Cruzando as informações do grupo neozelandês com outros estudos, Moffit descobriu que garotos e garotas que se tornaram criminosos por "toda a vida" tinham propensão a algum tipo de defeito neurológico desenvolvido muito cedo, até os três anos de idade. Essas crianças tendiam a ter um QI baixo, habilidades de linguagem pobres e, especialmente, o diagnóstico de déficit de atenção e hiperatividade. Esses problemas são mais comuns em meninos do que em meninas, como no crime adolescente em geral. Isso tudo também ocorre em casos de transtorno de conduta, distúrbio caracterizado pela violência, crueldade com pessoas e animais e uma tendência a quebrar regras. É claro que há quem pegue mais pesado no grupo mais "leve" de Dunedin. Aos 26 anos de idade, muitos deles ainda cometiam delitos, além de terem maior probabilidade de usar drogas ou sofrer de distúrbios mentais. Mesmo assim, os delinqüentes mais precoces, que correspondem a 10% do grupo masculino de Dunedin, representam o maior problema. Aos mesmos 26 anos, eles acumularam quase metade das acusações mais sérias entre todos os pesquisados.

   O que há de tão diferente nas crianças que se tornam más logo cedo? "Muitos de seus traços cognitivos e emocionais têm um forte fator genético", diz Moffit. Realmente, décadas de estudos sobre gêmeos e adoção mostraram que o comportamento anti-social e criminoso tende a enraizar-se em determinadas famílias. Em estudo publicado em 2005, Moffit concluiu que a genética é responsável por quase 50% do comportamento anti-social entre jovens.

   Um déficit cognitivo que leva à predisposição a participação em crimes violentos também pode ser adquirido logo no começo da vida graças a desnutrição, complicações no parto ou peso baixo no nascimento. Anomalias físicas menores, como línguas fissuradas ou orelhas mal formadas - que podem estar relacionadas a um desenvolvimento neural deficiente - também podem ser um sinal do que virá no futuro.








Começo difícil

   Por sorte, a biologia não está relacionada ao destino. Em 1994, a equipe de Patricia Brennan, da Universidade Emory, em Atlanta (EUA), estudou a interação entre complicações no nascimento e maternidade em um grupo de homens dinamarqueses. Os pesquisadores descobriram que, enquanto partos complicados aumentavam o risco de um comportamento criminoso mais tarde, a rejeição materna no começo da vida intensificava a probabilidade de participação em um crime violento por volta dos 18 anos. "Só a biologia não é suficiente para explicar tal comportamento. É preciso associá-la a outro fator, como um ambiente social deficiente ou maus pais", diz Brennan.

   Alguns pesquisadores começam a desvendar como certos genes e o ambiente social provocam mudanças cerebrais capazes de influenciar o controle emocional e a violência em crianças. Um dos avanços mais interessantes surgiu em 2002, quando o grupo de Moffit se concentrou no gene da enzima monoamina oxidase A (MAO-A). Variantes dessa enzima têm sido relacionadas a agressões cometidas contra animais e humanos: ela é capaz de quebrar neurotransmissores, incluindo a serotonina, uma das chaves para o controle da agressão. Os pesquisadores estudaram a interação entre a enzima, criminalidade e abuso infantil, um fator de risco decisivo na construção de um comportamento anti-social na idade adulta.

   Usando amostras de sangue dos homens do grupo de Dunedin, a equipe de Moffit dividiu-os em dois conjuntos: um com alta e outro com baixa atividade da enzima. Eles também foram separados de acordo com a incidência de maus-tratos durante a infância: 8% dos garotos haviam sido severamente maltratados quando crianças e 28% sofreram algum tipo de abuso durante a infância.

   A pesquisa descobriu que as variantes da enzima não são capazes de indicar, sozinhas, comportamentos criminosos na idade adulta. Mas algo impressionou os cientistas a respeito dos resultados relativos aos garotos com baixa atividade da enzima e histórico de abuso na infância. Eles tinham três vezes mais chances de enfrentar algum distúrbio do comportamento na adolescência. Mais: o grupo era dez vezes mais propenso a sofrer condenações por crimes violentos no futuro.

Cara de ódio

   O que essa constatação explica? Trocando em miúdos, a combinação de abusos na infância e baixa atividade da enzima MAO-A parece intensificar a reatividade emocional das crianças. Em 2002, testes realizados com meninos e meninas de 9 anos pelo psicólogo Seth Pollk, da Universidade de Madison (EUA), mostraram que os maltratados no passado eram bem mais rápidos ao captar raiva e hostilidade facial quando comparados a crianças que não passaram por abusos. Enquanto a percepção de uma ameaça pode ajudar os primeiros na adaptação a uma vida cheia de perigo e privação, seus níveis de reatividade e violência impulsiva podem chegar às alturas.

   Outro estudo, coordenado em 2006 por Andreas Meyer-Lindbergh, pesquisador do Instituto Nacional de Saúde Mental (EUA), usou imagens de ressonâncias magnéticas cerebrais para mostrar que pessoas saudáveis com baixa atividade da enzima MAO-A tinham amígdalas mais ativas. Essa área do cérebro processa nossas emoções, como o medo e a reação de lutar ou fugir. Para descobrir o que se passava na cabeça de seus voluntários, Meyer-Lindbergh apresentou a eles fotos de rostos com raiva ou medo e pediu a todos que acessassem suas próprias lembranças negativas. Ahmad Hariri, um dos cientistas que participaram do estudo de 2006, alerta que ainda há muito a descobrir. "Não somos capazes de medir a reatividade da amígdala de alguém e depois prever se essa pessoa vai socar outro indivíduo quando for contrariada", diz.

   Além disso, os pesquisadores ainda tentam entender outro grupo de crianças. Elas também apresentam um comportamento anti-social precoce, mas não demonstram nenhum tipo de reação emocional. Quando submetidas a testes, atingem altos índices de insensibilidade emocional, componente fundamental para o diagnóstico de psicopatia adulta. Além disso, elas sofrem com a falta de empatia e de culpa e pontuam mais nos quesitos busca de perigo, falta de medo e narcisismo. Elas têm QI normal e são geralmente insensíveis a castigos, mas muito receptivas a recompensas.

   "Defeitos emocionais repousam no centro de suas tendências anti-sociais", diz James Blair, especialista em psicopatia do Instituto Nacional de Saúde Mental (EUA). Sem entender essas pistas ameaçadoras, como a falta de medo, as crianças sofrem maior risco de passar por situações perigosas. Sem compreender a dor dos outros, muitas não conseguem evitar a crueldade. "Durante a socialização, é crucial aprender que algumas atitudes podem provocar medo ou tristeza em outras pessoas. Só assim aprendemos a evitá-las", diz Blair. Ele também afirma que essa mecânica de aprendizado parece defeituosa em psicopatas. "Se eles querem algo e dar um soco na cara de alguém parece ser o caminho para conseguir, acabam adotando tal comportamento", diz.

   "Esse tipo de violência é típica de crianças com insensibilidade emocional", diz Paul Frick, pesquisador da Universidade de Nova Orleans (EUA). Ele estima que cerca de 30% das crianças com comportamento anti-social precoce mostram traços de insensibilidade emocional. Frick também descobriu que elas têm mais chances de se tornarem violentas na idade adulta. Mais uma vez a amígdala e mais algumas áreas do cérebro podem ser as culpadas. Dessa vez, entretanto, o problema é oposto. Imagens cerebrais de psicopatas adultos revelam baixa atividade na amígdala e em áreas do córtex pré-frontal em situações amedrontadoras e quando suas memórias emocionais são ativadas. O fato é que já sabemos que a genética exerce papel ainda maior em crianças com insensibilidade emocional. Essi Viding, do Instituto de Psiquiatria de Londres, realizou um estudo com gêmeos britânicos de 7 anos em 2005. De acordo com os seus resultados, 67% das variações de insensibilidade emocional podem ser explicados geneticamente.

   James Blair vai além. De acordo com ele, traços de insensibilidade emocional não possuem causas sociais conhecidas e têm uma conexão frágil com má educação e até mesmo maus-tratos. Claro que o ambiente familiar e social influem na formação de um indivíduo. Situações de pobreza, por exemplo, oferecem mais motivos para a prática criminosa. "A psicopatia é um problema emocional, ela não empurra ninguém para fazer algo, a menos que haja uma recompensa óbvia", diz Blair.

   Entender se uma criança é superemocional ou insensível ajuda os psicólogos no diagnóstico precoce. Assim é possível aplicar tratamentos específicos antes que elas se envolvam em atos criminosos. "Há 20 anos, só poderíamos indicar terapias e aconselhamento. Depois, era preciso esperar alguns meses para ver se havia melhoras", diz Stephen Scott, do Instituto de Psiquiatria de Londres.

   A melhora na educação entre quatro paredes é uma das principais ferramentas da nova abordagem dada ao comportamento anti-social. Em crianças com predisposição genética ou fatores de risco sociais, a boa educação vinda dos pais pode fazer toda a diferença. Em 2001, Stephen Scott realizou um curso de três meses com pais que ensinava a importância do incentivo ao bom comportamento, aliado a punições serenas e consistentes. Os pais reportaram uma redução significativa nos problemas de conduta. Melhor: os benefícios continuaram, mesmo um ano após o fim do curso.







Castigos ineficazes

   A estratégia tende a ser um pouco diferente para crianças com insensibilidade emocional. Em 2005, David Hawes e Mark Dadds, da Universidade de Nova Gales (Austrália), testaram um programa familiar semelhante ao de Scott com garotos de 4 a 8 anos, alguns dos quais com traços de insensibilidade emocional. Os castigos se mostraram ineficazes para os últimos, mas usar incentivos como recompensa funcionou muito melhor.

   Não importa qual o método, a mensagem clara de todos os pesquisadores é uma só: quanto mais cedo, melhor. Programas para adolescentes alcançam certo sucesso, mas manipular o comportamento de crianças com menos de 8 anos é claramente mais eficaz.

   Algumas das estratégias mais bem-sucedidas começam antes mesmo de a criança nascer. Em estudo divulgado em 1998, David Olds, da Universidade do Colorado (EUA), reportou o acompanhamento de 315 crianças nascidas entre 1978 e 1980 ao longo de 15 anos. Suas mães receberam a visita mensal de uma enfermeira desde a gravidez até a criança completar dois anos. O foco do trabalho era o cuidado positivo, a boa nutrição e o desenvolvimento pessoal da mãe. Os resultados foram drásticos entre os filhos das mais pobres e solteiras: aos 15 anos, eles contabilizaram apenas metade do número de detenções e um quinto do número de condenações da média entre a mesma população. Os jovens também bebiam e fumavam menos e tinham menos parceiros sexuais do que aqueles que vinham de famílias que não passaram pelo programa.

   Esse tipo de intervenção não é barata, mas seus resultados são inquestionáveis. O último relatório sobre os neozelandeses do grupo de Dunedin mostrou que, aos 32 anos, os homens do grupo de crimes persistentes tinham dez vezes mais probabilidade de serem fumantes, 22 vezes mais chances de serem consumidores de drogas e 19 vezes mais risco de serem hospitalizados por doenças mentais do que o grupo de baixa atividade criminal. Eles também eram mais propensos a doenças cardíacas e derrames. Além disso, homens e mulheres do grupo de maior risco criminal tinham mais propabilidade de maltratarem seus parceiros. Já as mulheres eram especialmente mais propensas a baterem em seus filhos, com tudo para colocá-los no mesmo caminho no futuro. Resta saber se a ciência será capaz de quebrar este círculo vicioso. Não custa lembrar: todas as nossas crianças valem o esforço.

Copyright 2008 "New Scientist". Distribuída por Tribune Media Services

8 de out. de 2012


Bons Meninos e Capetas
Crie seus filhos para que sejam adultos que você gostaria de conhecer

Por Karen Springen
   Nancy Rodkin-Rotering sorri ao se lembrar de quando o filho de 4 anos, Jack, bateu a cabeça contra uma gaveta, com força suficiente para provocar um sangramento. Não é que ela tenha achado o machucado divertido, mas este teve um lado positivo: o choro de Jack fez com que o irmão de 2 anos, Andy, lhe oferecesse um copo d’água e seu livro favorito. “Quer o livro, Jack?,  perguntou ele.
   Nancy adorou o gesto de solidariedade de Andy. “fiquei emocionada ao ver uma criatura tão pequena pensar tão grande”, diz ela. “Ele ofereceu a Jack uma bebida e uma diversão, para distrair sua atenção da dor.”
   Todos os pais têm planos para seus filhos. Para muitos, porém, nada é mais importante do que educar uma criança “boa” – que saiba a diferença entre o certo e o errado, que tenha consideração com os outros e os trate como gostaria de ser tratada. No entanto, sendo a moralidade um traço de caráter impalpável, como podem os pais incuti-la nos filhos? “Para formar uma criança com valores morais é preciso ser uma pessoa com valores morais”, afirma o psicólogo David Elkind, da Tufts University. “Se você é honesto, franco, respeitável e atencioso, é isso que as crianças vão aprender.”
   No mundo apressado de hoje, em que os modelos inequívocos são poucos e os atos de violência cometidos por crianças estão em toda parte, educar os filhos dentro de valores morais ganha uma nova urgência. Esse tipo de moralidade, porém, não surge da noite para o dia; manifesta-se devagar, com o tempo.
   Os pais estão cada vez mais conscientes de que mesmo crianças muito pequenas têm capacidade de assimilar comportamentos morais. “Entre 1 e 2 anos, as crianças entendem que existem regras – mas normalmente só obedecem a elas quando há um adulto observando”, explica a Dra. Barbara Howard, especialista em desenvolvimento comportamental pediátrico da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins.
   Depois dos 2 anos, elas começam a obedecer às regras, ainda que de maneira inconstante, mesmo sem a presença de um adulto. E, como sabe qualquer um que tenha ultrapassado o limite de velocidade, as pessoas continuam a ter uma moralidade” circunstancial” pela vida afora.
   Os especialistas concordam que, para assumir responsabilidades, as crianças precisam ter consciência emocional e cognitiva do que é certo e do que é errado – em outras palavras, saber tanto na mente como no coração que o que fizeram é errado. Compreenda, no entanto, que, por mais que você tente, é impossível forçar seu filho a ter valores morais. Mas é possível encaminhá-lo na direção certa.
Defina seus valores. Que qualidades – como honestidade e empenho – são mais importantes para você? Então aja como gostaria que seus filhos agissem. “Se você faz trabalho voluntário na sua comunidade e leva seus filhos com você, eles vão fazer o mesmo”, afirma Joseph Hagan, da Academia Americana de Pediatria. “Se você der uma topada e soltar um palavrão, adivinhe o que seu filho vai dizer quando ele der uma topada?
Elogie o bom comportamento. “Realce os comportamentos desejados”, sugere a psicóloga Kori Skidmore. “Em vez de criticar uma criança pequena por causa da desordem do quarto, elogie o canto que estiver arrumado”, recomenda o pediatra Garry Gardner, de Darien, Ilinois. Lembre-se: seja criterioso ao usar o não.
Aproveite os momentos que podem ensinar lições. Quando os filhos de Gardner tinham 3 e 4 anos, eles acharam uma nota de 10 dólares na porta de uma loja. Gardner conversou sobre o valor do dinheiro – e eles concordaram em entregá-lo ao dono da loja para o caso de alguém procurar a nota. Decidiram juntos que o princípio de que “achado não é roubado” não deveria ser aplicado a valores maiores do que 25 centavos. Os pais também podem usar fábulas famosas ou histórias da Bíblia para ilustrar um ponto.
Observe os programas a que seu filho assiste. “Se as crianças ficam desacompanhadas, assistindo a programas de violência e promiscuidade na televisão, estarão mais propensas a ter opiniões equivocadas sobre como tratar as pessoas”, ensina Karen Bohlin, diretora do Centro de Desenvolvimento de Ética e Caráter da Universidade de Boston. “As crianças são impulsivas e precisam de orientação para formar bons hábitos”.
Fale sobre as consequências. Os pais podem pedir às crianças que os ajudem a escolher punições justas – por exemplo, não assistir à televisão. “Elas aprendem que sua voz é valorizada”, diz Marvin Berkowitz, professor de educação do caráter da Universidade de Missouri, em St. Louis. Permitir que os pequenos façam escolhas – mesmo a respeito de algo trivial como o que comer no almoço – vai habilitá-los a fazer escolhas morais mais tarde.”Se não aprenderem com requeijão e geleia aos 2 anos, como vão tomar decisões sobre bebidas alcoólicas aos 14?, pergunta a médica de família Nancy Dickey, editora-chefe do Medem, centro de informações a pacientes on-line.
Ajude-os a enxergar de outro ponto de vista. Se uma criança bate no novo irmãozinho, tente lhe mostrar o ponto de vista do recém-nascido. Diga: “Minha nossa, isso deve doer! O que você acharia se fizessem isso com você?”, sugere Barbara Howard, da Johns Hopkins. Ou quando a criança encontrar um ursinho, por exemplo, pergunte-lhe se ficaria triste se perdesse seu bichinho de pelúcia favorito e se ficaria contente se alguém o devolvesse. Existe muita diferença entre ouvir no catecismo que devemos amar o próximo como a nós mesmos e agir dessa forma.
   Enfim, qual é o verdadeiro teste dos valores morais de uma criança? É como a pessoa age quando mamãe e papai não estão por perto.
Fonte: SPRINGEN, Karen, Revista Seleções, Ed. Reader’s Digest, 2002.

18 de jul. de 2012


Fé Humana

O texto é de Eduardo Muniz Resende. Esse trabalho de cinco anos, que você vai ler agora,  foi narrado em áudio por Sérgio Chapelin.
O tema fé humana foi desenvolvido para ativar esse mínimo de fé que todos nós possuímos e que muitas vezes não utilizamos.
Fé humana não é fé divina. Fé humana é fé em si mesmo. Fé em si mesmo é sentir que onde quer  que você se encontre, você tem condições e confiança de que pode depender das suas possibilidades. Fe nas suas possibilidades é não precisar depender nem esperar pela ajuda de outros para resolver os seus próprios problemas. Qualquer um de nós, tem o mesmo cérebro, os mesmos músculos, os mesmos nervos  os mesmos ossos que qualquer pessoa de sucesso tem. A diferença está na   fé  que cada um tem nas suas possibilidades. Precisamos ter consciência da força da fé humana.
Por que foi dela que nasceu tudo que já se realizou ate hoje neste planeta.  Sabemos que o principal elemento para se obter fé , é sentir primeiro um forte desejo ou interesse.   É sentir primeiro um forte desejo ou interesse. Esta atitude motiva e partindo daí, a  atividade mental e  intelectual do indivíduo  fornecerá  inspiração e energia suficientes para alcançar o objetivo desejado.
Aquilo que um individuo quer e espera se tornar um dia é determinado pela fé que ele tem nas suas possibilidades. A vida em si é para ser naturalmente boa, ela existe para se evoluir e produzir afeto.  É verdade que às vezes nós  passamos por situações que são autênticas crises, mas isso é o tempero da vida. O que é de  lamentar, é ver certas pessoas, as quais não faltam saúde nem inteligência,  viverem preocupadas com minúsculos problemas que acabam por fazê  perder  o entusiasmo pela vida  e o vigor pela luta.  Sabemos que a vida não é um jardim de rosas, mas também  não é um campo de lixo, se a vida é uma viagem cheia de lições  e experiências, em constante desenvolvimento, se o futuro nada mais é do que um presente dinâmico, qual o principal objetivo da nossa evolução senão incluirmos  fé humana?
Existe uma lenda que conta  que os deuses decidiram criar o universo e criaram o sol a lua , as estrelas e aqui no planeta Terra, criaram  os animais, as plantas, os mares , as  montanhas, etc, etc. Depois criaram   os seres humanos e finalmente  decidiram colocar a essência da fé a disposição dos seres humanos. Nesse momento surgiu um problema entre eles. Um diz, mas nós vamos dar uma essência destas aos humanos, assim, gratuitamente,  não concordo. Aí outro sugeriu, podíamos ao menos dificultar a posse dessa substância: que trabalhem para encontra-la disse ele. Poderíamos escondê-la no fundo de um oceano, ou então   nas montanhas mais altas, porque assim, uma vez encontrada, eles saberiam usá-la   devidamente disse um outro.
Até que por fim o mais sábio dos deuses disse, nada disso, nós esconderemos a fé no coração de cada ser humano, dessa maneira  ele vai percorrer o planeta inteiro e procurar por toda a parte, sem saber que a própria   fé está dentro de si mesmo o tempo todo...
E  assim é , cada um de nós carrega consigo esta força que muitos esquecem de usar nos  momentos difíceis, acreditamos no poder da mente e na força da sua criatividade. A mente é a principal faculdade da inteligência humana, e sabemos que quando a energia subconsciente, é conscientemente dirigida  ela tem o poder de tomar uma pessoa saudável em doente ou uma pessoa doente em saudável.
Alexis Carrell, médico e cientista frances, autor do livro "O homem, esse desconhecido", dizia que emoções de raiva, ódio, ressentimento,  culpa e medo podiam criar lesões físicas muito sérias. E hoje sabemos que sentimentos de amor, perdão, afeto, carinho podem libertar pessoas  presas a problemas graves que  podem ser físicos, mentais ou emocionais. ("O Homem, esse desconhecido" do Dr. Alexis Carrel, publicado no ano de 1968)
 É indiscutível que simpatia e afeto, encorajam todos os seres vivos.  A fé verdadeira é calma, é persistente, por que tem o seu apoio na inteligência e no livre arbítrio. Ela não é só entusiasmo, ela é a confiança que o individuo tem nas suas possibilidades. E tem como fator principal,
uma atitude positiva com relação aos seus objetivos. Fé em você mesmo é  fé no seu destino. Por que a fé?
Por que  a fé é  a chave mestra da mente humana, ela dispensa análise e raciocínio, ela  desconhece limitações e duvidas, ela é  a sua crença pessoal, é o elemento que determina a ação da   sua mente em todos os seus níveis. Fé é uma atitude que contribui para a evolução humana.  Estará contribuindo para a  evolução humana todo aquele que estiver trabalhando na sua fé.
Não conhecemos ninguém que tenha poder, em si mesmo, sem possuir fé nas suas possibilidades.
A sua vida é o seu melhor mestre, pois você está sempre lidando com  situações que lhe dão constantemente  a oportunidade para vc testar a sua fé.
Walter Russell dizia: A essência real da grandeza dos homens, não está escrita em livros nem pode ser encontrada em universidades. Ela está dentro da consciência  daqueles que procuram se aperfeiçoar de maneira criativa e compreensiva.
A energia que  nos motiva não esta no nosso corpo, ela é parte da  inesgotável  fonte universal e cuja intensidade é estipulada pelos nossos desejos e vontades, pois todos os grandes homens sabem que cada evento e cada experiência da vida afetam, os próximos eventos e as próximas experiências e que  o  fracasso e o sucesso não são o produto daquele momento mas sim de todos os momentos da vida.
O ser humano  é ao mesmo tempo, uma combinação complexa e simples. Complexa em termos de ciência e simples, em termos de ser apenas uma parte  infinitesimal de todo universo. Assim como a gota d água do oceano contem todas as propriedades contidas no oceano,  também o ser humano possui todas as propriedades contidas no universo.
Vejamos: um conjunto de átomos forma uma molécula; um conjunto de  moléculas forma uma célula; um conjunto de células forma um órgão, um conjunto de órgãos forma uma pessoa, um conjunto de pessoas forma uma comunidade, um conjunto de comunidades  forma uma cidade, um conjunto de cidades forma um estado, um conjunto de estados forma um país, um conjunto de países forma um continente, um conjunto de continentes  forma um planeta, um conjunto de planetas forma um sistema solar, um conjunto  de sistemas solares forma uma galáxia, um conjunto de galáxias forma o universo. Partimos do micro para o macro cosmos.
De que serve todo esse universo, dentro e fora de nós se a maioria das pessoas  continua indiferente e indecisas  quanto a solução de minúsculos problemas?
Aonde estão o entusiasmo de cada um, a força motivadora  das gerações e da evolução humana? Aonde está este mínimo de fé que você precisa ter em você mesmo, e onde você acha que vai encontrá-la?

7 de abr. de 2012

Traduzir-me
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?
Ferreira Gullar

29 de out. de 2011

Te advirto, seja tu quem fores!
Oh! Tu que desejas sondar os arcanos da natureza,
Que se não achas dentro de ti mesmo aquilo que buscas,
Tão pouco poderás achar fora.
Se tu ignoras as excelências de tua própria casa,
Como pretendes encontrar outras excelências?
Em ti está oculto o Tesouro dos tesouros.
Oh! Homem! Conhece a ti mesmo e conhecerás
O universo e os Deuses..."
Tales de Mileto

23 de abr. de 2011

¨Os nossos verdadeiros adversários estão
dentro de nós: São os nossos medos, inseguranças
e vergonhas. Não lute contra os adversários
errados¨
( R. Shiniashik)