31 de jan. de 2009

Pra ti, Nani!

Amanhã

Guilherme Arantes

Amanhã será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar

Amanhã, redobrada a força
Pra cima que não cessa
Há de vingar

Amanhã, mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar

Amanhã a luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar, há de imperar

Amanhã está toda a esperança
Por menor que pareça
O que existe é pra festejar

Amanhã, apesar de hoje
Ser a estrada que surge
Pra se trilhar

Amanhã, mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam

Ver o dia raiar

Amanhã ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno, será pleno

Esta é pra ti curtir, linda Olinda!

Cuide-se Bem

Guilherme Arantes

Cuide-se bem!
Perigos há por toda a parte
E é bem delicado viver
De uma forma ou de outra
É uma arte, como tudo...

Cuide-se bem!
Tem mil surpresas
A espreita
Em cada esquina
Mal iluminada
Em cada rua estreita
Em cada rua estreita
Do mundo...

Prá nunca perder
Esse riso largo
E essa simpatia
Estampada no rosto...

Cuide-se bem!
Eu quero te ver com saúde
E sempre de bom humor
E de boa vontade
E de boa vontade
Com tudo...

Prá nunca perder
Esse riso largo
E essa simpatia
Estampada no rosto...

Curte esta, Jaque!

Dois e dois: quatro



Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena

Como seus olhos são claros
e a tua pele, morena

como é azul o oceano
e a lagoa, serena

como um tempo de alegria
por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.



Ferreira Gullar

Linda, leve e suave como a Simone!

Cantiga para não morrer



Quando você for embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


Ferreira gullar

Tão belo e tão triste!

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o presentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

29 de jan. de 2009

É Bom Insistir!

Pensamentos sábios

"Por isso vos digo: Não vos angustieis por vossa vida, com que comereis, com que bebereis, com que vos vestireis. Acaso a vida não vale mais do que o alimento? Olhai as aves do céu, não semeiam, nem ceifam, mas vosso pai celeste as alimenta. Olhai os lírios do campo, não se afadigam, nem fiam, mas Salomão não vestia como eles. Buscai primeiro o reino de deus e tudo vos será dado".
(Jesus Cristo)

"O homem que busca o conforto, não deseja a verdade. Deseja apenas segurança, proteção, um refúgio onde não seja perturbado. Já o homem que busca a verdade, tem de abrir a porta às perturbações, as tribulações, porque só nos momentos de crise há o estado de alerta, há vigilância, ação. Só então aquilo que É pode ser descoberto e compreendido".
(Krishnamurti)

“O canto não é mais sagrado do que o murmúrio de um riacho; contar as contas de um rosário não é mais sagrado do que respirar; trajes espirituais não são mais espirituais do que roupas de trabalho. Se você quiser unidade com o Tao, viva uma vida simples e tranqüila, livre de idéias e conceitos".
(Lao Tsé)

"Seres humanos são crianças divinas. A mente humana quer movimento. Os seres humanos querem progresso psíquico sem impedimentos, progresso intelectual sem obstáculos. E o progresso espiritual depende dessa liberdade de movimento. Dogma vai contra o espírito fundamental da mente humana. A ética é a base, a sádhana (prática espiritual) é o meio, a Vida Divina é a meta”.
(Shri Shri Anandamurti)

“A Roda está quebrada; o Sem-desejo foi atingido. O leito do rio está seco; nenhuma água flui. Nunca mais a roda quebrada vai rolar. Eis o final da Tristeza”.
(Extraído do Udãna)
Shmá Israel, Adonai Eloheinu, Adonai Ehad

"A força que guia as estrelas guia você também".
(Shri Shri Anandamurti

Política da Boa Vizinhança!

Vizinhos do Barulho


Meus vizinhos se desentenderam seriamente, e tal foi à desavença que a vida dos dois se transformou num verdadeiro inferno. Nenhum deles soube como a coisa começou, mas o que se sabe hoje em dia é que ambos detestavam a algazarra da criançada, o dia todo. Era o ataque de um lado e logo vinha a represália do outro. Passavam o tempo todo pensando uma forma de prejudicar um ao outro, tanto assim agiram que a polícia não agüentava mais tanta queixa e o delegado do distrito enfastiado das fofocas, um certo dia deu um basta aos dois:
- Ou vocês param de uma vez, ou prendo os dois e jogo a chave fora! Esbravejou, com o dedo em riste.
Os dois mal saíram da delegacia e já se entregaram aos xingamentos e ameaças:
- A tua hora vai chegar, muquirana! Dizia um entre os dentes.
- Antes de tu me almoçá eu te janto, seu merda! Resmungava o outro vermelho de ódio.
Na mesma noite um deles jogou bolinhas de guisado com veneno para os cachorros do outro. Pela manhã a cachorrada gemia esparramada pelos fundos do pátio, numa agonia de morte. Nada pôde ser feito.
O outro nem bem havia enterrado seus melhores amigos, e mais ainda de seus filhos, e se encanzinou perdidamente na construção de uma armação de paus encostando-se à cerca que divisa os dois terrenos. Estava construindo um chiqueiro de porcos que segundo ele próprio era para criar macaus que são mais gritões e fedorentos. Como era verão de dias escaldantes e noites abafadas
Já dá para imaginar o estrago. Nas noites seguintes já era quase impossível dormir com os grunhidos da piara, e durante o dia a catinga era insuportável.
O vizinho incomodado, depois de uma semana de lamentos, finalmente resolveu reagir, apesar das advertências do “Dotor delegado”. Elaborou um plano tenebroso para acabar com aquela fuzarca, e com o inimigo, obviamente.
Caçou uma cobra jararaca no mato e a guardou numa caixinha de sapatos, juntamente com um sapo cururu, para o caso de bater a fome na loca. Agora era só esperar o momento certo.
Numa noite, não muito distante, desabou um enorme temporal, com raios e trovoadas de dar medo ao mais intrépido cachaceiro de rua. O nosso amigo então, ávido por vingança, saltou da cama lá pela meia noite, vestiu uma japona preta e partiu ansioso para dar cabo a sua sombria empreitada. Chegando em frente à casa do desafeto pulou a cerca e aproximou-se pé-ante-pé da caixa de luz, abriu a portinha, desligou o disjuntor e, rapidamente, após dar uma chacoalhada na caixinha, para deixar a bicha bem braba, pensou, a jogou no contador e tapou bem depressa. Em seguida pulou a cerca e correu para sua casa e ficou espiando, rindo-se, satisfeito. O vizinho incauto abriu a porta e se pôs a reclamar da companhia elétrica, do governo e todas essas coisas que todo mundo faz, mas ao olhar para a casa ao lado, a do inimigo, percebeu que não podia ser falta geral, pois a lâmpada da área estava acesa. ¨o disjuntor deve ter desligado com um raio¨, concluiu. Passou a mão no guarda-chuva e correu em direção a caixa de luz, abriu a portinha, ligou a chave e correu de volta, no meio da chuvarada.
Com aquele desfecho inesperado e para o espanto do tinhoso, a desgraça prevista tinha ido por água-abaixo. A luz voltara ao normal e o adversário escapara ileso. ¨Mas não pode sê¨. Resmungou o que espiava. ¨Talvez a cobra...¨
- Nega veia! Gritou para a patroa que acabara de acordar.
- O que é, nego?
- Tu mexeu numa caxinha de...?
Antes que terminasse, a mulher interrompeu, sonolenta.
- Aquela que tinha um sapão, assim? Mostrando com as mãos.
- Puta que me pariu! Esbravejou, perplexo. – a...bicha escapuliu... aqui em...casaaaaaaa!!! E num salto só, caiu branco em cima da cama. Nem
É preciso comentar o susto da patroa, né?

Meus amigos, eu que moro na frente da casa dos dois nunca tinha visto tanta maldade, tanto ódio, tanta iniqüidade e trapaças. Acho que quem quer ser respeitado pelo próximo deveria em primeiro lugar dar o bom exemplo. Eu, de minha parte, juro que sou o melhor dos vizinhos, tanto sou que sempre cultivei o hábito de presentear a filharada da vizinhança com apitos, cornetas, tambores e bombinhas. Pois, é!


Paulo Saraiva - 1995