UM GUIA PARA EDUCAR JOVENS DO SÉCULO XXI
Crianças de 5 a 12 anos
Conhecer a fundo essa fase é essencial ao desenvolvimento físico e emocional de seus filhos. Uma orientação correta, agora, vai ajudá-los a enfrentar os desafios de adolescência.
Uma zona cinzenta parece separar os primeiros anos de vida e a adolescência. É como se, dos 5 aos 12 anos, a criança passasse por uma época de relativa calma e poucas modificações. Nada mais falso. Nesse período, meninos e meninas estão em plena formação física e emocional, experimentando uma série de novos papéis sociais. São anos de transição, é verdade, mas muito importantes e, às vezes, difíceis. Foi pensando nisso que, nos Estados Unidos, os membros da Associação Americana de Medicina (AMA) lançaram a Juventude Saudável 2000, uma campanha educacional para promover a saúde e o bem-estar infantis, que contou com a colaboração da Academia Americana de Pediatria (AAP). A revista norte-americana Good Housekeeping, uma das patrocinadoras do programa, publicou um guia, que reproduzimos para você, orientando os pais sobre o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças entre 5 e 12 anos.
DESENVOLVIMENTO FÍSICO
Como é difícil crescer!
Quem não lembra a canção de ninar – murmurada junto ao berço - os primeiros passos do bebê, as primeiras palavras... parece ontem. Agora seu filho está mais velho, mais independente, e caminha confiante para as sucessivas mudanças que o esperam. Ele não se importa com a complexidade da fase que precede a adolescência. Só quer crescer, descobrir coisas novas. Por volta dos 5 ou 6 anos, a escola assume o papel central. Amigos e conhecidos já fazem parte da rotina infantil. A criança passa mais tempo com os coleguinhas. Sua auto-estima é testada diariamente. Interesses externos – do esporte ao primeiro acampamento, da aula de música à natação – exigem muito da jovem cabecinha. Os pais precisam ficar atentos e redobrar sua dose de paciência, pois os hábitos e padrões de comportamento adquiridos durante esse período terão uma influência crucial: na saúde, no desenvolvimento escolar, na sociabilidade do futuro adolescente.
Embora a curiosidade seja a nota dominante, as crianças nem sempre contam aos pais o que estão sentindo. Elas se preocupam com seu corpo, com os colegas, com as notas que tiram no colégio. Receiam não ser boas o suficiente. Para construir uma base sólida de comportamentos saudáveis, para aprender, crescer, fazer o melhor que podem, seus filhos mais do que nunca precisam de você.
Atenção às mudanças físicas
No período entre 5 e 12 anos, as transformações físicas e o crescimento podem ser graduais, burlando as expectativas de uma mãe coruja. No entanto, fatos importantes estão ocorrendo no organismo infantil:
- Devido às mudanças na acumulação e localização das gorduras, muitas crianças se tornam mais esguias. Em relação ao resto do corpo, as pernas agora são mais longas.
- Quanto à altura, você notará um aumento de cerca de 5 centímetros por ano.
- Em relação ao peso, a criança ganhará entre 2,5 e 3 quilos por ano até começar a puberdade, quando as taxas de crescimento sobem rapidamente e se acentuam as diferenças sexuais entre meninos e meninas.
- A massa muscular aumenta, tornando a criança mais forte. Sua coordenação motora se desenvolve. Note como ela amarra o cadarço do tênis com facilidade. Enquanto uma criança de 7 anos ainda não é capaz de pegar uma bola voando, outra de 10 provavelmente poderá fazê-lo. Montar um carrinho ou costurar é mais uma habilidade que se adquire por volta de 9 anos.
- Os cabelos se tornam ligeiramente mais escuros e a textura da pele, aos poucos, perde as características da primeira infância.
- O tempo e o padrão de crescimento são influenciados pela hereditariedade e pela puberdade. Pais altos geralmente têm filhos altos. No entanto, podem ocorrer grandes arrancadas de crescimento, seguidas por períodos de mudanças insignificantes. Lembre-se: os padrões variam de uma criança para outra. Numa sala de aula (da 1ª à 5ª série primária), a diferença entre o aluno mais alto e o mais baixo pode chegar a 12,7 centímetros. Cerca de 25% das crianças ganham mais altura durante a adolescência.
- Nas meninas, o desenvolvimento das mamas é o primeiro sinal da puberdade. Os pediatras chamam esses seios incipientes de “brotos”. Eles aparecem entre os 8 e os 13 anos. O mais elevado índice de crescimento feminino (em altura, peso e massa muscular) se verifica um ano depois da entrada na puberdade, e a primeira menstruação (menarca) em geral ocorre dois anos mais tarde, entre os 11 e 13 anos.
- Nos meninos, os primeiros sinais da puberdade são o aumento dos testículos, o avermelhamento da bolsa escrotal, que se torna mais delgada, e o aparecimento de pêlos púbicos, o que usualmente acontece perto dos 11 anos, mas pode ocorrer a qualquer momento entre os 9 e os 14. Para os garotos, o período de maior crescimento se verifica cerca de dois anos após o começo da puberdade.
- Ao entrar na escola, em geral meninos e meninas têm a mesma altura. Em seguida, por volta da 5ª ou 6ª série primária, as garotas crescem mais, mas em poucos anos são alcançadas pelos colegas da classe.
A consciência do corpo chega com a puberdade
Para alguns pais, a timidez é um forte indício de que a puberdade está se aproximando. Quando pré-adolescentes tomam banho, fazem questão de trancar a porta. Ao trocarem der roupa, a privacidade é essencial. Também se tornam vaidosos e detestam ser criticados. Portanto, não implique com o jeito de seu filho se vestir. É natural que ele se preocupe tanto com a aparência (mesmo que deseje provar o contrário), pois seu corpo está passando por mudanças dramáticas.
Nutrição
No início desses anos de transição, alguns pais se preocupam demais com a alimentação dos filhos. Fique tranqüilo: mesmo crianças que comem muito pouco costumam se desenvolver normalmente. Além disso, durante o período de crescimento mais lento, a sensação de fome tende a diminuir em algumas crianças. Enquanto isso, outras vivem numa constante roda-viva de comer o tempo todo.
Entre os 7 e os 10 anos, tanto meninos quanto meninas consomem de 1 600 a 2 000 calorias por dia, embora as necessidades do organismo possam variar ainda mais. A maioria das garotas experimenta um significativo aumento de altura entre os 10 e os 12 anos, e passa a ingerir 200 calorias adicionais. Os meninos, em geral, “espicham” dois anos depois e, então, precisam de 500 calorias complementares.
Durante os picos de crescimento, o organismo da criança solicita mais nutrientes. O apetite, no entanto, varia em função das atividades. Se seu filho passar a manhã fazendo lição de casa, por exemplo, terá menos necessidades calóricas. Se ficar jogando bola, mais.
Nessa fase são comuns os “ataques de fome”. Previna-se antes, fazendo uma lista de alimentos saudáveis. Algumas sugestões:
- Matam a sede – leite frio ou suco de frutas.
- São suaves – iogurte, bananas, requeijão, ricota.
- São crocantes – vegetais crus, maçãs, pipoca, flocos de cereais.
- São suculentos – pêssegos, mangas, abacaxi.
- São divertidos – morangos, uvas, jabuticabas.
- Acabam de vez com a fome – sanduíches de queijo, pizza, pudim de leite, granola.
Obs.: Evite alimentos como batatas fritas, frango frito, doces, chocolate, salgadinhos, sorvetes.
A boa forma começa na infância
Nessa época de tv e videogame, mais do que nunca as crianças precisam de esporte, para garantir um desenvolvimento físico adequado. Pelo menos três vezes por semana, seu filho deve participar de algum tipo de exercício que faça seu coração bater mais depressa. Não é essencial que se trate de uma atividade organizada. Brincadeiras fora de casa, caminhadas, passeios de bicicleta são soluções válidas e divertidas.
O esporte propriamente dito também é saudável e pode ajudar seu filho a desenvolver a capacidade de liderança, tornando-o mais confiante. Entretanto, não tente transformar uma criança pequena em atleta. Ela ficará estressada e frustrada. Para descobrir o esporte “perfeito”, adote o seguinte esquema:
- Converse com seu filho sobre os motivos que o levam a querer praticar determinada atividade.
- Deixe a criança escolher. Se sua filha está louca para jogar futebol, não a obrigue a estudar balé, porque é mais feminino.
- Para as crianças com menos de 8 anos, são apropriados esportes que não exijam contato físico acentuado entre os participantes. Por exemplo, no basquete e no futebol, há um contato médio. A natação e o tênis praticamente não oferecem nenhum contato. Esportes de “colisão”, como o handebol, devem ser praticados por crianças acima dos 10 anos.
QUANDO ADMINISTRAR VITAMINAS. Os pediatras recomendam um suplemento vitamínico diário somente para crianças com falta de apetite, ou com hábitos alimentares extravagantes, com dietas altamente seletivas.
DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL
“Eu me detesto, eu me amo”
Entre os 5 e os 12 anos, a auto-estima das crianças pode variar de dia para dia, pois elas costumam acreditar, ao pé da letra, no que os outros dizem e tiram conclusões apressadas. Tais mudanças de humor são normais e não há nenhuma fórmula mágica que os pais possam aplicar para garantir a felicidade constante de seus filhos. No entanto, crianças autoconfiantes sabem apreciar o próprio talento e aceitar suas imperfeições e fracassos ocasionais. Garotas ou garotos problemáticos mostram uma inadequação contínua e há indícios que ajudam a identificar sua falta de auto-estima:
- Notas baixas.
- Perda de interesse nas atividades habituais.
- Modificações na personalidade, evidenciadas por ataques de raiva, tristeza, frustração.
- Mudanças sociais, diminuindo o contato com a turma, ou escolha de novos amigos, desajustados.
- Dificuldades em tomar decisões.
- Autocrítica acentuada.
Embora o pediatra possa tratar uma dor de garganta de seu filho, receitando antibiótico, ele não possui fórmulas infalíveis para aumentar a auto-estima da criança. Algumas atitudes dos pais, no entanto, costumam agir como estímulos positivos:
- Mostre-se carinhosa: As crianças querem saber que são amadas, valorizadas e aceitas incondicionalmente.
- Ouça com atenção: Escutar de verdade o que seu filho diz pode ser trabalhoso, mas é por meio de palavras que ele expressa suas emoções. Fique atenta a mensagem como: “Isso é muito difícil pra mim”, “Tenho medo de desapontá-la”, “Estou cansado, chateado”. Às vezes, a melhor resposta que você pode dar à criança é passar algum tempo com ela.
- Crie áreas de apoio: Incentive atividades, clubes, interesses especiais e esportes que estimulem a competência e a autoconfiança.
- Estabeleça objetivos: Junto com seu filho, veja como ele pode se aperfeiçoar. Por exemplo, se o seu ponto fraco é o desempenho escolar, peça ajuda a professores e familiares.
- Ensine seu filho a se valorizar: Um bom começo e fazer-lhe mais elogios.
As ferinhas mostram as garras
Uma criança que esta mentindo, colando na escola, usando palavras ofensivas choca os adultos. Entretanto, é importante lembrar que se trata de atitudes esperadas nesse estágio de desenvolvimento.
A mentira: Uma criança pequena, criada num lar onde há amor e responsabilidade, pode dizer uma mentira quando for acusada de ter feito alguma travessura, porque tem medo de desapontar os pais, ou de ser punida. Antes dos 6 anos, ele confunde facilmente fantasia e realidade. Depois dos 6, uma mentira mostra que seu filho, mesmo distinguindo entre o certo e o errado, se encontra numa situação difícil e dá um jeitinho para sair dela. Se você reagir com agressividade, provavelmente a criança continuará inventando novas histórias para se proteger. Em vez disso, fale: ”Quero que você me diga a verdade, e eu sempre lhe direi a verdade. Assim poderemos sempre a acreditar um no outro”.
O roubo:O primeiro incidente costuma acontecer por volta dos 7 anos. Segundo os psiquiatras, a criança que rouba tem um sentimento de privação, inveja ou ansiedade. Talvez ela deseje ser mais popular entre os colegas e acredite que se apropriar de dinheiro ou doces é um bom começo. Ao tomar conhecimento do fato, não pergunte por que isso acorreu. Deixe bem claro que você está a par de tudo e exija a devolução imediata do objeto ou dinheiro furtado. Encoraje seu filho a pedir desculpas, mas não diga que ele é terrível.
A cola: Em nossa cultura, a competitividade é recompensada. Desde pequena, a criança aprende como é ruim perder e faz de tudo para se sair bem. Colar na escola é um fenômeno comum, resultado desse tipo de situação. Se seu filho for pego “em flagrante”, discuta com seriedade o problema. Fale com ele sobre o estresse e a pressão que está sofrendo no colégio e mostre que você não espera o impossível. Em geral, as crianças agigantam as expectativas dos adultos. Uma punição séria para a cola raramente traz bons resultados.
O palavrão: O uso de “nomes feios” faz parte do desenvolvimento infantil. Ao empregá-los, as crianças afirmam sua esperteza e mostram que não têm medo de ser “um tantinho ruins”. Com o tempo, cansadas de impressionar os amigos, elas maneiram a linguagem. Em casa, estabeleça uma regra: “Nada de palavrões”. Caso fique evidente que seu filho adora chocar você, ignore. Um lembrete: nunca ria quando uma criança solta um palavrão.
Leve o estresse a sério
O número de crianças sujeitas a estresse está aumentando. Meninos e meninas estão expostos, diretamente ou pelo noticiário, a assuntos como divórcio, drogas, raptos e outros acontecimentos assustadores. A sensação de viver num mundo cheio de perigos gera estafa e medo.
Em geral, os pais acreditam que seus filhos são imunes ao estresse. Nada mais falso. Eles têm plena consciência das mudanças que ocorrem ao seu redor. Quando a tensão é contínua e particularmente intensa, as crianças pagam um alto preço emocional e físico. Situações estressantes e repentinas aceleram a respiração e os batimentos cardíacos, contraem os vasos sanguíneos, aumentam a pressão e acabam causando dores de cabeça ou enjôos. Se o estresse persistir, a criança se torna suscetível a doenças. Você pode ajudar seu filho a lidar com as tensões. Veja como:
- Ponha-se no lugar dele.
- Mostre que você está consciente de sua infelicidade e discuta com a criança a forma de superá-la.
- Todo dia, disponha de algumas horas para ficar ao lado de seu filho e deixe que ele decida como passar esse tempo especial.
No entanto, nem todo estresse é prejudicial. A pressão adequada exercida por um professor ou um treinador pode incentivar a criança a melhorar seu desempenho, tornando-a mais autoconfiante.
Hábitos que irritam os pais, mas ajudam as crianças
Você se encolhe toda quando seu filho põe o dedo no nariz. Mastiga o lápis, rói as unhas, mexe e remexe no cabelo ou chupa, deliciado, o polegar. Acredite: ele não faz isso para deixá-la nervosa. Dos 5 aos 12 anos, as crianças têm tais comportamentos repetitivos durante momentos de tensão, cansaço ou tédio.
Roer unhas ou pôr o dedo no nariz, por exemplo, em geral são atitudes que se desenvolvem entre os 3 e 6 anos, mas podem persistir até os 10. A mania de chupar o dedo costuma acabar entre os 6 e 8 anos. Hábitos comuns de autoconforto estão relacionados a funções do cérebro e ajudam a criança a se acalmar. Não se preocupe com eles. O melhor a fazer é ignorá-los.
O medo da escola e seus sintomas
O simples pensamento de ficar longe de casa e dos pais causa ansiedade em muitas crianças. A escola, de fato, é um lugar onde a pressão dos professores e dos colegas pode ser estressante. Então, aparecem vários sintomas: lágrimas, dores de cabeça, tonturas, diarréias, vômitos e até febre. O que você deve fazer? Trate seu filho com consideração, mas deixe bem claro que a freqüência escolar é obrigatória. Quando a criança acordar, não lhe pergunte, toda manhã, como se sente. Em vez disso, fale com o pediatra para excluir problemas mais graves e peça o apoio dos professores.
DESENVOLVIMENTO SOCIAL
Aprendendo o jogo da vida
Conviver harmoniosamente numa comunidade é muito mais do que uma questão de boas maneiras. As qualidades sociais incluem a capacidade de ouvir e se fazer ouvir, de seguir orientações, de manter contato “olho no olho” durante um diálogo. Pense em seu filho por alguns minutos. Ele sabe como começar, manter e concluir uma conversa? Dá apoio aos amigos? Consegue fazer elogios, sem bajular? Demonstra autocontrole? Expressa a raiva adequadamente? Assume as conseqüências de seus atos?
Fazer amigos é uma das principais habilidades sociais. As crianças, em idade escolar, já estão prontas para adquirir esse talento, que lhes prestará serviços pelo resto da vida. Companheiros, confidentes e aliados, os amigos de seu filho vão ajudá-lo a encontrar a resposta para uma pergunta preocupante: “Como estou me saindo?”.
No começo, as atividades em comum mantêm juntas as crianças. A cumplicidade vem depois. Os pré-adolescentes em geral formam grupos, círculos íntimos de chegados. Eles podem rejeitar um menino ou uma menina “ligeiramente diferente”, que não fale a mesma gíria ou não se vista da mesma maneira. Embora os pais fiquem alarmados quando isso ocorre com o filho, devem compreender que se trata de um dos fatos naturais da vida.
Uma criança sem amigos é um dilema. Para resolver esse problema crucial, você precisa de sensibilidade e compreensão. Há dois tipos de criança impopular:
1 – A agressiva: Ela é rejeitada pelo grupo porque tende a violar as regras. Muito sensível a provocações, no entanto gosta de provocar. Essa criança pode sofrer falta de atenção em casa.
2 – A tímida: Ela não é rejeitada de forma ostensiva, simplesmente é esquecida. A turma não a convida a participar das atividades do grupo. Em geral, essa criança apresenta baixa auto-estima.
Três habilidades necessárias para fazer amigos
- Capacidade de quebrar o gelo. A criança consegue se aproximar de outra e iniciar uma conversa, sem ser atrevida ou agressiva.
- Facilidade de compartilhar interesses. A criança gosta de atividades coletivas e variadas.
- Flexibilidade para negociar e aceitar compromissos. A criança percebe que todo relacionamento tem altos e baixos. Diferenças de comportamento e opiniões não a deixam abalada. Sabe dar e receber.
Obs.: Uma criança com tevê no quarto pode ficar tão ligada nos programas que se isola da família. Recomenda-se que a garotada veja tevê ou brinque com jogos eletrônicos por, no máximo, 2 horas diárias.
Fonte: Resumo de Caring for Your School-Age Child: Ages 5 to 12, copyright – 1992 de Feeling Fine Programs inc.
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