7 de mai. de 2008

Poe Minhas

Reflexão

Vejo-me no espelho-d'água
entre os átomos que somos
há sombras de outro lugar.
Serei coração que bate,
ou brancas nuvens no céu?

O que foi feito de mim
por tudo dentro do espelho?
Serei traços do passado
num hiato, ou só linguagem?

Como ser pedra e vidraça,
se sou apenas imagem
dançando por entre as ondas
da fria água que passa?

Um comentário:

Paulo Saraiva disse...

Este poema foi inspirado numa viagem de cogumelo alucinógeno
(Psilocibe cubensis, em que caminhava por uma estrada esburacada, após uma chuva, e de repente comecei a observar uma figueira, distante uns 500 mt, que mudava de tamanho a cada olhada! Num súbito momento de pavor me abaixei diante de uma poça d'água, barrenta, e enchendo as mãos de água passei a lavar o rosto para ver se dava uma careteada, pois a alucinação estava assutadora. Depois fiquei abaixado observando a imagem do meu rosto na água que começara a acalmar, porém continuava ondilhando suavemente devido ao vento que soprava gelado naquela tarde de inverno. O que vi naquela barrenta poça d'água após minha imagem e nuvens é terrivelmente indescritível, entretanto vi átomos e vi que minha mente podia ver muito mais do que estava na frente dos meus olhos, vi minha mente brilhando e meus olhos cintilantes em chamas, uma inquieta imensidão latejava dentro de mim, então levantei, olhei ao redor e senti uma grande tristeza pelo que vi e senti, o cheiro da terra entrava em lufadas pelas minhas narinas e as folhas das árvores cintilavam um verde incomum, parecia um mundo estranho e novo.