18 de out. de 2008

Um Padre Urubuzando!

há alguns anos estive internado num hospital, devido a um infarto. Naqueles dias sentia muito medo pelo que poderia me acontecer, apesar de já estar me sentindo bem melhor a cada dia que passava. Acordava bem cedo em função da movimentação dos funcionários, ou para tomar a medicação, e já aproveitava para me ocupar lendo um pouco, pois o tempo de sobra num local assim mexe com a cabeça da gente. Quando aparecia alguém para conversar, ou algum colega de quarto puxava assunto eu já ficava bem contente! A solidão de uma doença é a pior que existe.
Certo dia fui acordado mais cedo que o habitual pelo barulho do pessoal da limpeza e aprovetei para continuar a leitura que havia deixado na noite anterior, então, de repente ouvi passos no corredor e, aí, pensei contente, que bom vir alguém para bater papo de manhãzinha, baixei o livro para ver quem era, pois o meu leito estava de frente para a porta e, para minha surpresa, dei de cara com um velho padre, de batina preta e bíblia na mão, entrando no quarto. Fiquei perplexo quando ele me olhou fixamente e veio em minha direção, com passos firmes e a cabeça erguida, era um homem magro, alto e tinha os cabelos completamente brancos. Naquele instante passou milhões de coisas na minha mente, mas sempre começando pela sensação de estar encalacrado. O padre se aproximou do meu leito, esticou a mão e pegou a prancheta com o prontuário, que fica pendurada nas grades dos "pés" de todas as camas. O velho sacerdote ajeitou o óculos e leu minha ficha atentamente com o braço bem afastado, então, rapidamente levantou os olhos, me fitou novamente e disse: - Não é o senhor! - e saiu em direção a outras camas até achar a sua "encomendação". Aquele momento pareceu-me uma eternidade. Só saí do susto quando escutei a risada abafada do meu colega da cama ao lado, o Seu Júlio, que com a mão na boca para não soltar uma gargalhada, apontou para mim e falou: - Olha o jeito que tu tá! Eu estava "branco" de medo e havia escorregado pela cama, puxando inconscientemente o cobertor, ficara somente com os olhos arregalados de fora! Que situação embaraçosa! Ou melhor, como diria um grande amigo, " que parada enfarruscada!"

Um comentário:

Núcleo Gandharva - musicalização disse...

Não sabia desse acontecimento assombroso, embora tenha te visitado na época. Imagino a cena e realmente é muito engraçada depois que passa. Mas só depois!